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quinta-feira, 31 de julho de 2008

Conheça a trajetória do goleiro Erick no futsal

Desde que ficara sócio do Clube Atlético Ypiranga, refrescar-se na piscina era a sua principal diversão nos dias de verão em que o sol não dava trégua. O jovem Erick gostava do contato com a água, mas nem por isso almejava ser um grande nadador. Quem sabe médico, policial, professor, ou qualquer outra coisa. Quando se tem sete anos de idade, a gente apenas sonha em ser muitas coisas e ele não tinha noção do que viria a se tornar no futuro. Naquele dia, porém, quando viu alguns meninos correndo atrás de uma bola, sentiu uma imensa vontade de brincar com eles, e sem qualquer inibição, foi pedir ao "moço" para deixá-lo jogar. Na época, o "moço" era Dércio Alcazar, técnico da equipe Fraldinha do clube, que o deixou fazer parte do grupo. O garoto acabou indo parar no gol, pois não tinha mais vaga na linha. Ele aceitou o desafio e, aos poucos, foi pegando o jeito da coisa, manifestando interesse e despertando o seu talento, até que descobriu o que realmente queria ser quando crescesse: goleiro profissional. Mas é claro que ele não esperaria a maioridade para tornar o sonho em realidade. Começaria ali mesmo. O ano, 1984.

Treinando regularmente no time do Clube Atlético Ypiranga, o pequeno Erick Lopes logo foi convocado para a seleção paulista, onde tornou-se campeão brasileiro no primeiro ano no futsal. Isto só aumentou a sua dedicação ao esporte. Quando passou para a categoria Mirim, passou a jogar pelo Paineiras, do Morumbi, onde ficou até a categoria Infantil. De lá, passou pelo GM São Caetano, Circulo Militar e Corinthians. "Depois que estourei a idade de Juvenil tentei o futebol de campo, chegando a ser profissional no Santo André, porém em 1997, vendo que não teria muitas chances por falta de empresário, retornei ao time principal do Corinthians a convite do Ernani", lembra o arqueiro, hoje com 30 anos.

Foi pela equipe de Parque São Jorge que ele diz ter feito o jogo mais emocionante de seus 23 anos de carreira. Um clássico entre Corinthians e São Paulo pela semifinal do Metropolitano, transmitido ao vivo pela TV Bandeirantes para o todo o Brasil. "Entrei para jogar como goleiro linha quando a partida estava 2 a 1 para o eles. Faltando uns quatro minutos para o final, fiz um passe maravilhoso para o Ricardinho (hoje na Itália) e ele fez o gol de bicicleta. Faltando 12 segundos o Gôda tocou a bola para mim e do meio da quadra chutei e marquei 3 a 2, fazendo os três mil torcedores corintianos explodirem de alegria dentro do ginásio", recorda. O jogo foi para a prorrogação e terminou em 1 a 1, com vantagem para o São Paulo que jogava por este resultado. Porém, foi a partir daí que o goleiro passou a ser reconhecido.

Erick ficou no Timão até o primeiro semestre 2001, quando foi disputar a Liga pela Wimpro/GM. No segundo semestre, porém transferiu-se para o Corinthians - Barueri. No ano de 2002, nova mudança, desta vez para o Santos/Osan a convite do amigo Tuca, treinador da equipe que acabou se desfazendo tempos depois. Para não ficar parado, Erick foi para o E.C. Goiás disputar o Campeonato Goiano. Em 2003, surgiu a oportunidade para voltar a São Paulo e cursar a faculdade de Educação Física enquanto defendia o Corinthians/Unicid. Ele ficou apenas seis meses, porque depois da boa participação no Metropolitano decidiu retornar a Goiás para disputar o Brasileiro de Seleções. "A gente foi muito bem e tivemos o nosso reconhecimento. Na equipe, havia alguns nomes como Márcio Cearense e Valdin (Malwee e agora seleção), Pica-Pau (Carlos Barbosa), que ficaram mais conhecidos", conta.

Fim de campeonato e o destino de Erick apontava para Santa Catarina, onde atuaria na Malwee até que uma proposta irrecusável para jogar no Action21 da Bélgica o fez pensar melhor e lá foi ele para uma temporada de 10 meses de glórias fora do país. Venceu o Campeonato Belga e a Copa da Bélgica e sua equipe ficou em terceiro na Copa da UEFA. Não renovou o contrato e voltou ao Brasil em 2004, novamente para o Corinthians/Unicid, sendo campeão do Metropolitano naquele ano. Foi nesta época também que ele foi convocado para a Seleção Brasileira para disputar o Campeonato Universitário na Espanha. Em 2005, mudou-se para Florianópolis e disputou o Campeonato Catarinense na equipe do Colegial. No começo de 2006, disputaria a Liga pela equipe carioca de Macaé, mas a falta de patrocínio o fez voltar para Florianópolis, para disputar a Copa Sul. Em Campo Mourão, no Paraná, acertou a sua ida para o Cortiana/AFF para disputar a Liga 2006 e, ao final do torneiro, recebeu o convite para atuar no ECB/Banespa. "Não pensei duas vezes e chegando ao clube fomos campeões dos Jogos Abertos", diz ele.

O garoto do Ipiranga

Contando-se a história desta maneira, parece que as coisas aconteceram em perfeita sincronia, mas nada foi assim tão fácil para o goleiro. "Eu nunca tive contatos ou conhecimentos para facilitar algo. Quem me conhece, sabe que sempre consegui as coisas pelo meu esforço e dedicação", diz.

Filho de pais separados, Erick praticamente foi criado pela avó Dona Cida, pois a mãe, Eliete, professora de uma universidade de Joinville, era muito nova e precisava trabalhar. A família dava condições para que ele estudasse e o esporte sempre foi apoiado. Mas quando tinha 15 anos surgiu o impasse: continuava ou não? "Se é isso o que você quer, vá e não se arrependa", disse Dona Eliete.

Que arrependimento que nada, Erick está feliz, feliz com o que o futsal tem lhe proporcionado. Não fosse jogador, ele comandaria a cabine de som de alguma casa noturna ou estaria por trás dos pick-ups animando festas, pois é amante de dance music e música eletrônica, e, além de ser "chegado" de vários DJs, confessa que sabe tocar muito bem. Fora das quadras, curte assistir a bons filmes, comer bastante e estudar. "Quando estive na Bélgica aprendi a falar francês, por isso adoro ler e exercitar isso."

Admirador de feras como Franklin, Serginho, Bagé e do goleiro Alexandre da seleção italiana, ele diz que o trabalho é fundamental para se tornar um bom goleiro e que acima de tudo é preciso ter confiança. "Acreditar em si, pois o goleiro vencedor é aquele que jamais deixa de acreditar nas suas qualidades."

* Este texto foi escrito em 2006 para o site da FPFS e reeditado para ser publicado aqui.

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